Ecos de cantiga. Leituras de jovens poetas entre Espanha e Portugal

A transformação tecnológica da nossa era, o seu excesso informativo, a saturação de elementos e imagens, converteram o facto literário numa espécie de parapeito de outros tempos melhores, e inclusive de outro modelo de civilização: livresco, analítico, pausado. A afeição aos livros, ao pensamento, é hoje em si própria um humanismo. Possivelmente  é essa a causa de uma certa moda de romances que falam de romances, de livrarias, de bibliotecas, a exaltação do prazer de ler, as vidas de escritores, etc. A literatura como lugar inocente, mas também como motor de uma mudança (nostálgica se calhar), um modelo a contratempo.  Seguramente, a maior necesidade, maior fervor. E nesse contexto, que papel  corresponde à poesia, coração dessa civilização livresca?

Apresenta-se assim um ciclo que expõe estas tendências, na plena consciência de que a poesia popular e amorosa de outros séculos, os  primeiros das nosas literaturas, contribuem além do mais ao acervo e à propria identidade cultural de Portugal e Espanha.

As sessões serão precedidas por uma conferência inaugural ministrada pela poeta e professora da Universidad de Santiago de Compostela María do Cebreiro.

21 de setembro de 2019 | Fundaçao José Saramago (Lisboa)

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